segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Depois do aborto

Depois do falatório que houve sobre o sim ou não à liberdade de uma mulher poder abortar, ou seja, poder decidir se é ou não o momento adequado para ter um filho, que é a coisa mais perene da vida de cada mulher, vamos lá ver se os políticos pseudomoralistas que temos não inventam um estratagema qualquer para emperrar tudo.

Por mim, desconfio bem que todo este falatório não vai gerar senão mais um monte de palavras quase-mortas, pois não estou a ver como é que o sistema de saúde poderá dar resposta àquelas mulheres que pretendam abortar mas que não têm recursos para tal. Note-se que já está em marcha, por outro lado, a chegada de alguns privados, que pretendem exercer em Portugal abortos para gente mais endinheirada.

Portanto, minhas senhoras e meus senhores, desculpem-me que vo-lo diga: tanto falatório só deu origem a chegarmos mais para cá a fronteira dos abortos para gente de bem, deslocando-a de Espanha para Portugal. Quanto às outras senhoras e meninas que, sem dinheiro, precisem de abortar... Ou muito me engano, ou fica tudo na mesma... E digo mais: espero, sinceramente, estar enganado!