domingo, setembro 18, 2005

Perseguição

Desde há algum tempo, tem-se verificado que há muita gente que demonstra um ódio esquisito contra aqueles que têm por opção fumar.

Sinceramente, se é certo que percebo que há fumadores que não têm o mínimo civismo quando fumam, porque fazem-no em qualquer lado, na presença de quem quer que seja, haja ou não pessoas a comer, ou bebés junto a si, tal atitude não se deve ao uso do cigarro, mas sim à falta de civismo que anda de mãos dadas com muitos cidadãos. Aliás, é essa mesma falta de civismo e não o gosto de fumar que leva muitos condutores, não fumadores até, a conduzir desalmadamente pondo em risco a vida dos demais transeuntes, ou outras tantas digníssimas pessoas a cuspir para o chão, ou a sorver a sopa no restaurante, ou, ainda, a não tomar as precauções mínimas para´não provocar vómitos aos outros viajantes em transportes públicos, com o mau cheiro que a falta de higiene acarreta.

Porém, numa sociedade em que tantos são os pecadilhos, tenho notado que só os fumadores são completamente discriminados.

Ora, creio que esta perseguição é completamente injustificada. Se eu quero fumar, porque não poderei fazê-lo em paz, pública e pacificamente, sem ter à perna um monte de profetas da desgraça anunciando aquilo que eu já sei, que o tabaco faz mal? Que diabo! Todos nós temos direito a optar por ter um ou outro prazer, mesmo que não seja o mais saudável dos prazeres! Eva teve direito a provar a maçã da árvore proibida, não teve? Mesmo assim, é para os católicos uma figura de referência! É que a perfeição é apanágio seja de quem for, menos do Homem. Por definição, somos imperfeitos e essa imperfeição é talvez a nossa melhor arma contra a estagnação de ideias e de modo de vida: é ela que nos faz tentarmos ser melhores, tentarmos andar para a frente nesta estrada que é tão complicada, a da vida.

Por tudo isso, acho que é tempo de ser reconhecido, sem mais delongas, o direito a fumar o cigarro sem maus olhares ou trejeitos de boca que indiciem o pensamento de que: "Olha, mais um palerma que se quer matar aos poucos!".

Por mim, vou continuar a fumar, sossegada e calmamente, procurando respeitar os que não fumam, pois, sei, em consciência, que devo agir segundo uma máxima tal que a minha conduta se possa transformar na conduta universal (são, pelo menos, as ideias kantianas que tanto admiro).

Acho, até, que é preciso que aqueles que pensam como eu não se deixem abater, pelo que seria muito interessante que houvesse um espaço de discussão sobre este assunto. A pensar nisso, aqui deixo o meu comentário e a possibilidade de saber se há outros que pensam como eu, ou se sou o único com estas ideias tão politicamente incorrectas nos tempos que vão correndo.